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O que é diluição e BTC per share

Emitir mais ações pode deixar o acionista existente mais rico, em vez de mais pobre. A chave está em uma métrica, o Bitcoin por ação, que revela quando uma emissão acumula Bitcoin por cota e quando apenas dilui.

Fugazzi Research 12 min

Existe um contrassenso no centro das empresas-tesouraria que confunde quase todo mundo na primeira vez. Emitir mais ações pode deixar o acionista existente mais rico, em vez de mais pobre. A chave para entender isso é uma única métrica, o Bitcoin por ação. Ela revela quando uma emissão acumula Bitcoin para quem já é dono e quando ela apenas dilui e destrói valor. Sem esse número, a estratégia dessas empresas parece mágica. Com ele, vira aritmética.

BTC per Share, ou Bitcoin por ação, é a quantidade de Bitcoin que cada ação de uma empresa-tesouraria representa. O cálculo é direto. Divide-se o total de Bitcoin detido pela empresa pelo número de ações em circulação. O resultado mostra, de forma concreta, quanto Bitcoin está por trás de cada ação que o investidor possui. É talvez a métrica mais intuitiva e honesta para avaliar esse tipo de empresa.

O conceito só funciona dentro do modelo maior das empresas-tesouraria, então convém ter em mente o quadro completo descrito em o que é uma treasury company. O Bitcoin por ação é o número que ancora todas as outras métricas do cluster.

O que é diluição

Diluição é o que acontece com a sua fatia quando a empresa emite ações novas. Imagine uma empresa dividida em cem ações, das quais você tem uma. Você é dono de um por cento. Se a empresa emite mais cem ações e você não compra nenhuma, agora existem duzentas ações e a sua continua sendo uma só. A sua fatia caiu para meio por cento. Você foi diluído, mesmo sem ter vendido nada.

Em uma empresa comum, a diluição costuma ser ruim para o acionista, porque sua participação no negócio encolhe. É aqui que mora o contrassenso das empresas-tesouraria. Nelas, a diluição pode ser boa, desde que o dinheiro arrecadado com as ações novas compre Bitcoin suficiente para que o Bitcoin por ação suba apesar do aumento no número de ações. O que importa não é a sua fatia percentual, é quanto Bitcoin lastreia cada ação sua.

Em uma empresa-tesouraria, a pergunta certa não é se houve diluição, e sim o que a diluição comprou. Emitir ações para comprar Bitcoin que eleva o Bitcoin por ação cria valor. Emitir ações que não elevam esse número destrói valor. O mesmo ato pode ir para qualquer um dos dois lados.

Quando emitir ação acumula Bitcoin por cota

A condição para que a emissão crie valor é vender ações com prêmio sobre o valor do Bitcoin que elas representam. Esse prêmio é medido pelo mNAV. Quando a ação negocia acima do Bitcoin por ação, cada ação nova traz para o caixa mais dinheiro do que o Bitcoin que ela diluirá, e o saldo sobra para todos os acionistas.

Um exemplo torna isso concreto. Suponha que cada ação represente um valor X em Bitcoin e que o mercado pague dois X pela ação, um prêmio de cem por cento. A empresa emite uma ação, arrecada dois X em dinheiro e compra dois X em Bitcoin. Esse Bitcoin novo é dividido entre todas as ações, mas a emissão adicionou apenas uma ação. O resultado líquido é que o Bitcoin por ação de todo mundo sobe. A diluição numérica existiu, mas o acionista saiu ganhando em lastro.

Prêmio
Emitir acima do NAV eleva o Bitcoin por ação
Paridade
No NAV, a emissão é neutra
Desconto
Emitir abaixo do NAV destrói Bitcoin por ação

O acionista de uma empresa-tesouraria não deveria torcer contra a emissão de ações. Deveria torcer para que ela aconteça com prêmio. É o prêmio que transforma diluição em acúmulo de Bitcoin por ação.

Quando emitir ação destrói valor

A mesma mecânica funciona ao contrário quando o prêmio some. Se a ação negocia com desconto, abaixo do Bitcoin por ação que ela representa, emitir ações passa a destruir valor. A empresa vende uma ação, arrecada menos do que o Bitcoin que essa ação diluirá, e o Bitcoin por ação de todo mundo cai. A diluição, nesse caso, empobrece o acionista existente de verdade.

É por isso que o mesmo ato, emitir ações, pode ser a maior força a favor ou contra o acionista, dependendo de a empresa negociar com prêmio ou desconto. Uma gestão disciplinada acelera a emissão quando há prêmio e a interrompe quando ele desaparece. Uma gestão que emite em desconto, por pressão de dívida ou por necessidade de caixa, corrói o Bitcoin por ação justamente quando o acionista mais precisa que ele seja preservado.

Emitir ações com prêmio sobre o NAV cria Bitcoin por ação. Emitir com desconto o destrói. Acompanhar em que regime a empresa está emitindo é tão importante quanto acompanhar quanto Bitcoin ela compra.

A métrica mais honesta do cluster

O Bitcoin por ação tem uma virtude que as outras métricas não têm na mesma medida. Ele é difícil de maquiar. Uma empresa pode anunciar com orgulho que dobrou o seu total de Bitcoin, e o número soa impressionante. Mas se ela dobrou também o número de ações para chegar lá, o Bitcoin por ação não mudou, e o acionista existente não ganhou nada. O total de Bitcoin é a manchete. O Bitcoin por ação é a verdade.

Esse número é também o que o BTC Yield acompanha em movimento. Uma estratégia de tesouraria bem-sucedida é aquela que faz o Bitcoin por ação crescer de forma consistente, emitindo com prêmio para comprar mais Bitcoin do que a diluição consome. Quando isso acontece de forma repetida, o acionista sai ganhando. Quando para de acontecer, o número denuncia.


O que observar como investidor

Para quem estuda uma empresa-tesouraria, o Bitcoin por ação é a métrica de chegada. Pergunte sempre o que a empresa fez com esse número ao longo do tempo, não apenas quanto Bitcoin ela tem. Pergunte em que regime ela está emitindo, com prêmio ou com desconto. E lembre que um Bitcoin por ação crescente obtido com dívida pesada carrega um risco que o número sozinho não mostra.

A Strategy é o caso de estudo mais documentado para observar o Bitcoin por ação evoluir ao longo de anos e de ciclos de mercado. Acompanhar essa evolução, e cruzá-la com o prêmio do período e com o nível de dívida, é o tipo de leitura que a Fugazzi Research faz sobre o tema, sempre de forma crítica e sem nenhuma recomendação de compra de ações específicas.

Perguntas frequentes sobre BTC per Share

Emitir mais ações não prejudica sempre o acionista?

Em uma empresa comum, costuma prejudicar, porque a fatia de cada um encolhe. Em uma empresa-tesouraria, depende do que a emissão compra. Se as ações são vendidas com prêmio sobre o NAV e o dinheiro compra Bitcoin suficiente, o Bitcoin por ação sobe e o acionista sai ganhando, apesar da diluição numérica. O que importa é o Bitcoin por ação, não a fatia percentual.

Como calculo o Bitcoin por ação de uma empresa?

Divida o total de Bitcoin que a empresa detém pelo número de ações em circulação. O resultado é a quantidade de Bitcoin que lastreia cada ação. É um número pequeno em termos absolutos, mas o que importa é a sua evolução ao longo do tempo, que mostra se a estratégia está acumulando Bitcoin para o acionista ou diluindo-o.

Por que o total de Bitcoin da empresa pode enganar?

Porque ele ignora a diluição. Uma empresa pode crescer muito o seu total de Bitcoin emitindo ações na mesma proporção, e nesse caso o Bitcoin por ação não muda. O acionista existente não ganha lastro algum, mesmo com a manchete impressionante. Por isso o Bitcoin por ação é mais honesto que o total, ele já desconta o efeito da emissão.

Fugazzi Research

Do conceito ao método aplicado.

Este conteúdo é gratuito. Nas recomendações da casa, o método é aplicado com dados, simulações e acompanhamento de cada call até o encerramento. Assinatura por R$ 249,90/mês, cancele a qualquer momento.

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Sobre o autor

Eduardo BiasiCNPI 10189

Analista de Valores Mobiliários credenciado pela APIMEC Brasil sob a Resolução CVM nº 20/2021, responsável técnico pela análise da Fugazzi Research.

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Autoria e conformidade

Conteúdo educacional produzido de forma independente pela Fugazzi Research, casa de análise credenciada como pessoa jurídica pela APIMEC Brasil, sob responsabilidade técnica do analista Eduardo Biasi, CNPI 10189 (Certificação Nacional do Profissional de Investimento), credenciado pela APIMEC Brasil sob a Resolução CVM nº 20/2021. Regulatório e Compliance.

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