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O que é emissão ATM

A emissão ATM deixa uma empresa pingar ações novas no pregão ao preço corrente, sem alarde. Numa empresa-tesouraria de Bitcoin ela é a torneira que converte prêmio sobre o NAV em mais Bitcoin por ação. Quando o prêmio some, a mesma torneira destrói valor.

Fugazzi Research 12 min

A emissão ATM permite que uma empresa pingue ações novas no pregão ao preço corrente, aos poucos, sem o estardalhaço de uma grande oferta. Numa empresa-tesouraria de Bitcoin ela funciona como uma torneira de capital. Aberta no momento certo, transforma o prêmio sobre o NAV em mais Bitcoin por ação para quem já é acionista. Aberta no momento errado, faz o caminho inverso e destrói valor.

ATM é a sigla de at the market offering, ou oferta a mercado. É um mecanismo registrado que autoriza a empresa a vender ações novas diretamente no pregão, ao preço de negociação do momento, de forma gradual e ao longo do tempo. Em vez de uma oferta única e anunciada, a companhia distribui as ações conforme a conveniência, captando recursos de maneira contínua e discreta.

O conceito só ganha sentido dentro do modelo das empresas que acumulam Bitcoin no balanço, então convém partir da página-hub do tema em o que é uma treasury company. A emissão ATM é um dos dois motores de captação dessas empresas. O outro é a dívida conversível. A diferença essencial é que a ATM levanta capital próprio, sem criar obrigação de pagamento, enquanto a dívida conversível levanta capital de terceiros, com vencimento.

A torneira do oportunismo

A grande vantagem da ATM é a flexibilidade. A empresa pode acelerar as vendas quando a ação está cara e desacelerar quando o preço não compensa. Para uma tesouraria de Bitcoin isso é decisivo, porque o gatilho de quando vale a pena emitir está amarrado a uma métrica específica, o mNAV, que mede quanto a ação negocia em relação ao Bitcoin que a empresa carrega.

mNAV > 1
Emitir cria valor. A ação vale mais que o Bitcoin detido
mNAV = 1
Emitir é neutro. A ação iguala o Bitcoin detido
mNAV < 1
Emitir destrói valor. A ação vale menos que o Bitcoin detido

Por que emitir com prêmio enriquece o acionista

O efeito parece contraintuitivo. Emitir ações dilui, e diluir costuma ser ruim para quem já tem ações. Mas no caso de uma tesouraria com prêmio, a conta vira. Um exemplo numérico mostra o porquê.

Imagine uma empresa com 100 ações e Bitcoin avaliado em 100, o que dá 1 de Bitcoin por ação. Suponha que o mercado pague um prêmio e a ação valha 150, um mNAV de 1,5. A empresa usa a ATM e emite 10 ações novas ao preço de mercado, captando 150. Com esse dinheiro compra 150 de Bitcoin. Agora a empresa tem 250 de Bitcoin e 110 ações. O Bitcoin por ação subiu de 1 para cerca de 1,27. O acionista antigo, que não fez nada, passou a deter mais Bitcoin por ação.

A diluição existiu. O número de ações cresceu de 100 para 110. Mas como cada ação nova foi vendida por mais do que o Bitcoin que ela passou a representar, o saldo líquido para o acionista existente foi positivo. Vender caro o que vale menos é o que cria o valor.

Esse é o motivo de a ATM ser tão poderosa para uma tesouraria. Enquanto houver prêmio, cada rodada de emissão eleva o Bitcoin por ação de quem já está dentro. É o mecanismo concreto por trás do que essas empresas chamam de BTC Yield.

Quando a mesma torneira destrói valor

O erro mais comum é achar que emitir ações é sempre bom para a estratégia porque traz dinheiro para comprar mais Bitcoin. Não é. A conta inverte de sinal quando o prêmio vira desconto. Se o mNAV cai abaixo de um, a ação passa a valer menos do que o Bitcoin que a empresa carrega. Emitir nessa situação significa vender ações baratas e entregar Bitcoin por ação a quem compra, às custas do acionista existente.

A emissão ATM não é boa nem ruim por si só. Ela é acretiva no prêmio e destrutiva no desconto. O mesmo ato muda de sinal conforme a ação está acima ou abaixo do valor do Bitcoin detido.

Por isso a ATM nunca deve ser lida sozinha. Uma empresa que continua emitindo ações enquanto negocia com desconto está corroendo o próprio acionista. Uma empresa que sabe fechar a torneira quando o prêmio some está protegendo quem confiou nela. A disciplina de quando não emitir é tão reveladora quanto a agressividade de quando emitir.

Ao analisar uma tesouraria, observe se a emissão via ATM foi feita majoritariamente em períodos de prêmio. Uma gestão que emite no prêmio e segura no desconto está usando a ferramenta a favor do acionista. O oposto é um sinal de alerta.

ATM e dívida conversível, lados da mesma estrutura

Os dois motores de captação se complementam e têm riscos distintos. A ATM é capital próprio. Não cria obrigação de pagamento, não tem vencimento, e seu único custo é a diluição. A dívida conversível é capital de terceiros. É mais barata em momentos de euforia, mas carrega a obrigação de ser paga ou refinanciada se a conversão não acontecer.

  • A ATM dilui, mas não endivida. O risco é vender ações baratas no desconto.
  • A dívida conversível não dilui de imediato, mas endivida. O risco é o vencimento chegar sem conversão.
  • As duas dependem do prêmio sobre o NAV para funcionar bem. Quando ele some, ambas ficam desfavoráveis ao mesmo tempo.

Entender a ATM é entender por que essas empresas conseguem crescer suas reservas de Bitcoin sem gerar caixa operacional relevante. A torneira de ações, aberta no momento certo, é o que sustenta o crescimento do Bitcoin por ação. A Fugazzi Research acompanha o tema como caso de estudo crítico, sem nenhuma recomendação de compra de ações específicas.

Perguntas frequentes sobre emissão ATM

Emitir ações por ATM não prejudica sempre o acionista?

Não necessariamente. Quando a ação negocia com prêmio sobre o valor do Bitcoin detido, emitir ações novas e usar o dinheiro para comprar mais Bitcoin eleva o Bitcoin por ação do acionista existente, mesmo havendo diluição. O prejuízo só aparece quando a empresa emite com a ação abaixo do valor do Bitcoin que ela carrega. Aí a diluição não é compensada e destrói valor.

Qual a diferença entre emissão ATM e dívida conversível?

A emissão ATM levanta capital próprio vendendo ações novas no mercado, sem criar obrigação de pagamento. A dívida conversível levanta capital de terceiros com um título que paga juros e tem vencimento, podendo virar ações se a cotação subir. A ATM dilui mas não endivida. A dívida conversível não dilui de imediato mas endivida. São os dois motores de captação de uma tesouraria.

Como saber se uma empresa usa a ATM de forma saudável?

Observando em que condições ela emitiu. Uma gestão saudável concentra as emissões em períodos de prêmio sobre o NAV, quando vender ações cria valor, e segura a torneira quando a ação cai abaixo do valor do Bitcoin detido. Emitir agressivamente no desconto é um sinal de alerta, porque corrói o Bitcoin por ação do acionista existente. Isto não é recomendação de investimento.

Fugazzi Research

Do conceito ao método aplicado.

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Sobre o autor

Eduardo BiasiCNPI 10189

Analista de Valores Mobiliários credenciado pela APIMEC Brasil sob a Resolução CVM nº 20/2021, responsável técnico pela análise da Fugazzi Research.

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Autoria e conformidade

Conteúdo educacional produzido de forma independente pela Fugazzi Research, casa de análise credenciada como pessoa jurídica pela APIMEC Brasil, sob responsabilidade técnica do analista Eduardo Biasi, CNPI 10189 (Certificação Nacional do Profissional de Investimento), credenciado pela APIMEC Brasil sob a Resolução CVM nº 20/2021. Regulatório e Compliance.

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