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O que é a Selic, meta e over

A taxa que o Copom anuncia não é exatamente a que faz o seu dinheiro render. Existe a Selic meta e a Selic over, e entender a diferença explica por que você ouve falar em Selic mas o seu título rende um percentual do CDI.

Fugazzi Research 11 min

A Selic é o número que abre o noticiário toda vez que o Copom se reúne. O que quase ninguém explica é que existe mais de uma Selic, e que a taxa anunciada na reunião não é exatamente a que faz o seu dinheiro render. Esta página separa as duas e mostra onde cada uma age.

Selic é a sigla de Sistema Especial de Liquidação e de Custódia. Na origem, é o sistema do Banco Central onde se registram as operações com títulos públicos federais. O nome do sistema acabou batizando a taxa de juros que se forma dentro dele. Por isso, quando se fala em Selic, fala-se na taxa de juros básica da economia brasileira.

Essa taxa é a referência a partir da qual quase todas as outras se formam, do crédito ao consumidor ao rendimento da renda fixa conservadora. Ela é o preço do dinheiro no Brasil. Mas existem duas Selic com nomes parecidos e funções diferentes, e confundi-las é a fonte do primeiro mal-entendido sobre o tema.

A Selic meta e a Selic over

A Selic meta é o número que o Comitê de Política Monetária do Banco Central define a cada reunião. É um alvo, não uma taxa que incide sobre algum contrato. O Copom anuncia, por exemplo, que a meta passa a ser determinado patamar ao ano, e essa é a manchete que circula.

A Selic over, ou Selic efetiva, é a taxa que de fato se forma no mercado a partir das operações de um dia lastreadas em títulos públicos. É uma taxa observada, calculada todo dia útil, e fica muito próxima da meta. O Banco Central atua no mercado justamente para manter a over colada na meta que o Copom definiu. A diferença entre as duas costuma ser de centésimos.

A Selic meta é a decisão. A Selic over é o resultado dessa decisão no mercado. A meta é o alvo que o Copom anuncia, a over é a taxa efetiva que se forma todo dia para acertar nesse alvo.
Meta
Alvo definido pelo Copom na reunião
Over
Taxa efetiva formada no mercado de um dia
252
Dias úteis na base anual da taxa

Quem decide a Selic e por quê

A Selic meta é definida pelo Copom em reuniões periódicas ao longo do ano. O comitê usa a taxa como a principal ferramenta de política monetária. A lógica é direta. Subir a Selic encarece o crédito, esfria o consumo e o investimento, e ajuda a conter a inflação. Baixar a Selic barateia o crédito e estimula a atividade econômica.

O objetivo central por trás de cada decisão é manter a inflação dentro da meta perseguida pelo Banco Central. Quando os preços ameaçam acelerar, a tendência é de alta dos juros. Quando a inflação está controlada, abre-se espaço para cortes. A leitura do comunicado de cada reunião diz mais sobre o caminho futuro da taxa do que o número em si, e é por isso que dedicamos uma peça à leitura da última decisão do Copom.

Por que a Selic não é a taxa que remunera o seu título

Aqui está o ponto que o título desta seção promete. A Selic, mesmo a over, não incide diretamente sobre a maior parte dos seus investimentos. O que remunera quase todo produto pós-fixado é o CDI, uma taxa de mercado que se forma nos empréstimos de um dia entre bancos.

O CDI e a Selic andam quase colados, por arbitragem. Os bancos preferem emprestar entre si a uma taxa muito próxima da Selic, porque a alternativa é negociar títulos públicos com o próprio Banco Central a essa taxa. O resultado é que o CDI orbita poucos centésimos abaixo da meta Selic. Quando o Copom mexe nos juros, o CDI acompanha quase no mesmo instante.

Você ouve falar em Selic, mas o seu CDB rende um percentual do CDI. A Selic move o CDI, e o CDI move o seu título.

A consequência prática é que entender a Selic serve para entender a direção. Entender o CDI serve para entender o cálculo. A distinção entre os dois, e o cálculo pró-rata exponencial por dias úteis que rege o índice, está detalhada na nossa página sobre o que é o CDI e como ele é calculado de verdade.


O que a Selic muda na sua carteira

Quando a Selic sobe, a renda fixa pós-fixada fica mais atraente, porque o CDI sobe junto e os produtos atrelados a ele rendem mais. Quando a Selic cai, o investidor é empurrado a buscar mais risco para manter o mesmo retorno. A taxa básica funciona como uma maré que levanta ou baixa o piso de remuneração de toda a economia.

  • Pós-fixados. Acompanham a Selic via CDI quase em tempo real, para cima e para baixo.
  • Prefixados. Travam uma taxa fixa, então uma alta da Selic derruba o preço de mercado dos papéis já emitidos.
  • Atrelados à inflação. Reagem à parte real da curva de juros, que se move junto com as expectativas para a Selic.

Essa sensibilidade dos prefixados e dos atrelados à inflação à variação dos juros tem nome. Ela é a marcação a mercado, e explica por que um título considerado seguro pode aparecer no vermelho antes do vencimento. Tratamos disso na página sobre o que é marcação a mercado, e o desenho completo dessa relação entre prazos e taxas é o tema da curva de juros.

Selic, poupança e Tesouro Selic

Três referências costumam ser embaralhadas. A poupança tem regra própria de remuneração, atrelada à Selic com um teto, e historicamente rende menos que o CDI quando os juros estão altos. O Tesouro Selic é um título público pós-fixado que acompanha a Selic e, por consequência, fica muito próximo do CDI. A Selic em si não é um investimento que se compra. É o termômetro contra o qual os pós-fixados são medidos.

Não se compra Selic. Compram-se títulos cuja rentabilidade deriva dela, direta ou indiretamente. A taxa é a régua da economia, não o ativo na sua carteira.

Perguntas frequentes sobre a Selic

Qual a diferença entre Selic meta e Selic over?

A meta é o alvo de juros definido pelo Copom em cada reunião. A over, ou efetiva, é a taxa que de fato se forma no mercado de um dia lastreado em títulos públicos. O Banco Central atua para manter a over colada na meta, e a diferença entre as duas é de centésimos.

A Selic é a mesma coisa que o CDI?

Não, mas andam quase juntos. A Selic é a taxa básica definida pelo Copom. O CDI é a taxa média dos empréstimos de um dia entre bancos, que por arbitragem fica poucos centésimos abaixo da meta Selic. Quase todo produto pós-fixado rende um percentual do CDI, não da Selic diretamente.

Quando a Selic muda, meu investimento muda no mesmo dia?

Para os pós-fixados, o efeito é quase imediato, porque o CDI acompanha a nova meta logo após a decisão. Para prefixados e atrelados à inflação, o efeito aparece via marcação a mercado, que ajusta o preço dos papéis conforme a curva de juros incorpora a mudança.

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