O que é a Selic, meta e over
A taxa que o Copom anuncia não é exatamente a que faz o seu dinheiro render. Existe a Selic meta e a Selic over, e entender a diferença explica por que você ouve falar em Selic mas o seu título rende um percentual do CDI.
A Selic é o número que abre o noticiário toda vez que o Copom se reúne. O que quase ninguém explica é que existe mais de uma Selic, e que a taxa anunciada na reunião não é exatamente a que faz o seu dinheiro render. Esta página separa as duas e mostra onde cada uma age.
Selic é a sigla de Sistema Especial de Liquidação e de Custódia. Na origem, é o sistema do Banco Central onde se registram as operações com títulos públicos federais. O nome do sistema acabou batizando a taxa de juros que se forma dentro dele. Por isso, quando se fala em Selic, fala-se na taxa de juros básica da economia brasileira.
Essa taxa é a referência a partir da qual quase todas as outras se formam, do crédito ao consumidor ao rendimento da renda fixa conservadora. Ela é o preço do dinheiro no Brasil. Mas existem duas Selic com nomes parecidos e funções diferentes, e confundi-las é a fonte do primeiro mal-entendido sobre o tema.
A Selic meta e a Selic over
A Selic meta é o número que o Comitê de Política Monetária do Banco Central define a cada reunião. É um alvo, não uma taxa que incide sobre algum contrato. O Copom anuncia, por exemplo, que a meta passa a ser determinado patamar ao ano, e essa é a manchete que circula.
A Selic over, ou Selic efetiva, é a taxa que de fato se forma no mercado a partir das operações de um dia lastreadas em títulos públicos. É uma taxa observada, calculada todo dia útil, e fica muito próxima da meta. O Banco Central atua no mercado justamente para manter a over colada na meta que o Copom definiu. A diferença entre as duas costuma ser de centésimos.
Quem decide a Selic e por quê
A Selic meta é definida pelo Copom em reuniões periódicas ao longo do ano. O comitê usa a taxa como a principal ferramenta de política monetária. A lógica é direta. Subir a Selic encarece o crédito, esfria o consumo e o investimento, e ajuda a conter a inflação. Baixar a Selic barateia o crédito e estimula a atividade econômica.
O objetivo central por trás de cada decisão é manter a inflação dentro da meta perseguida pelo Banco Central. Quando os preços ameaçam acelerar, a tendência é de alta dos juros. Quando a inflação está controlada, abre-se espaço para cortes. A leitura do comunicado de cada reunião diz mais sobre o caminho futuro da taxa do que o número em si, e é por isso que dedicamos uma peça à leitura da última decisão do Copom.
Por que a Selic não é a taxa que remunera o seu título
Aqui está o ponto que o título desta seção promete. A Selic, mesmo a over, não incide diretamente sobre a maior parte dos seus investimentos. O que remunera quase todo produto pós-fixado é o CDI, uma taxa de mercado que se forma nos empréstimos de um dia entre bancos.
O CDI e a Selic andam quase colados, por arbitragem. Os bancos preferem emprestar entre si a uma taxa muito próxima da Selic, porque a alternativa é negociar títulos públicos com o próprio Banco Central a essa taxa. O resultado é que o CDI orbita poucos centésimos abaixo da meta Selic. Quando o Copom mexe nos juros, o CDI acompanha quase no mesmo instante.
“Você ouve falar em Selic, mas o seu CDB rende um percentual do CDI. A Selic move o CDI, e o CDI move o seu título.”
A consequência prática é que entender a Selic serve para entender a direção. Entender o CDI serve para entender o cálculo. A distinção entre os dois, e o cálculo pró-rata exponencial por dias úteis que rege o índice, está detalhada na nossa página sobre o que é o CDI e como ele é calculado de verdade.
O que a Selic muda na sua carteira
Quando a Selic sobe, a renda fixa pós-fixada fica mais atraente, porque o CDI sobe junto e os produtos atrelados a ele rendem mais. Quando a Selic cai, o investidor é empurrado a buscar mais risco para manter o mesmo retorno. A taxa básica funciona como uma maré que levanta ou baixa o piso de remuneração de toda a economia.
- Pós-fixados. Acompanham a Selic via CDI quase em tempo real, para cima e para baixo.
- Prefixados. Travam uma taxa fixa, então uma alta da Selic derruba o preço de mercado dos papéis já emitidos.
- Atrelados à inflação. Reagem à parte real da curva de juros, que se move junto com as expectativas para a Selic.
Essa sensibilidade dos prefixados e dos atrelados à inflação à variação dos juros tem nome. Ela é a marcação a mercado, e explica por que um título considerado seguro pode aparecer no vermelho antes do vencimento. Tratamos disso na página sobre o que é marcação a mercado, e o desenho completo dessa relação entre prazos e taxas é o tema da curva de juros.
Selic, poupança e Tesouro Selic
Três referências costumam ser embaralhadas. A poupança tem regra própria de remuneração, atrelada à Selic com um teto, e historicamente rende menos que o CDI quando os juros estão altos. O Tesouro Selic é um título público pós-fixado que acompanha a Selic e, por consequência, fica muito próximo do CDI. A Selic em si não é um investimento que se compra. É o termômetro contra o qual os pós-fixados são medidos.
Perguntas frequentes sobre a Selic
Qual a diferença entre Selic meta e Selic over?
A meta é o alvo de juros definido pelo Copom em cada reunião. A over, ou efetiva, é a taxa que de fato se forma no mercado de um dia lastreado em títulos públicos. O Banco Central atua para manter a over colada na meta, e a diferença entre as duas é de centésimos.
A Selic é a mesma coisa que o CDI?
Não, mas andam quase juntos. A Selic é a taxa básica definida pelo Copom. O CDI é a taxa média dos empréstimos de um dia entre bancos, que por arbitragem fica poucos centésimos abaixo da meta Selic. Quase todo produto pós-fixado rende um percentual do CDI, não da Selic diretamente.
Quando a Selic muda, meu investimento muda no mesmo dia?
Para os pós-fixados, o efeito é quase imediato, porque o CDI acompanha a nova meta logo após a decisão. Para prefixados e atrelados à inflação, o efeito aparece via marcação a mercado, que ajusta o preço dos papéis conforme a curva de juros incorpora a mudança.
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Eduardo BiasiCNPI 10189
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